Educação e Competitividade no Brasil
"For companies vying for space in the highly competitive world market, access to a workforce fully able to operate in an increasingly collaborative and networked business environment is crucial. But the skills gaps that exist in Latin America undermine the competitiveness of the region’s firms." A análise acima foi retirada de um estudo que acaba de ser publicado pela Economist Intelligence Unit, com o patrocínio da Dell e da FedEx. Trata-se de um estudo que mostra de forma absolutamente clara que a falta de uma educação de qualidade no Brasil (e também nos demais países da América Latina) trará impactos negativos na nossa capacidade de competir globalmente. O mundo cada vez mais globalizado e conectado que vivemos se traduz na prática na busca de profissionais cada vez mais completos, competentes, resilientes, ágeis e aptos a acompanhar o ritmo frenético de mudanças onde agilidade, baixo custo e flexibilidade são componentes mais do que essenciais para que eles e todos nós possamos prosperar. No entanto, os dados colhidos neste Estudo mostram que os alunos recém saídos da graduação chegam ao mercado despreparados para as demandas já acima citadas. Além disso, o estudo identificou que estes jovens carecem tanto das "hard skills", que se configuram no conhecimento técnico e intelectual atual e que são tipicamente quantificáveis e mensuráveis, quanto das "soft skills", que são as boas habilidades de relacionamento, pensamento crítico, negociação, colaboração em ambientes culturamente diversos, liderança e capacidade de resolução de problemas dentre outras. Se em economias também em desenvolvimento, como a Coréia do Sul que já tem uma média de quase 12 anos de educação formal para a população de 15 anos acima, a média no Brasil ainda está abaixo dos 5 anos, o que é um índice que nos coloca abaixo da média da América Latina , da China e do México e que mostra o tamanho do "gap educacional" que temos que cobrir. Se cruzarmos os dados deste estudo da EIU com os dados da Pesquisa Anual "A Contratação, a demissão e a carreira dos Executivos Brasileiros" realizada anualmente pela Catho, iremos nos deparar com outro dado alarmante: o baixo nível de fluência de Inglês do Executivo Brasileiro (apenas 24,5% dos executivos brasileiros falam Inglês). Ou seja, se de um lado temos jovens recém graduados que chegam ao mercado de trabalho sem dominar competências essenciais para o concorrido mercado de trabalho, temos de outro profisssionais já bem colocados e estabelecidos que sequer dominam o Idioma que domina a cena no mercado global: o Inglês. Diante destes dois cenários descritos, as empresas privadas passam a ter uma "responsabilidade" ainda maior no processo, pois a sua longevidade, sustentabilidade e o seu sucesso no médio e longo prazos dependem fundamentalmente da qualidade e competência da sua mão de obra (que é hoje o "asset" mais valioso na Era do Conhecimento). Aliás, não quero aqui entrar no mérito e nem polemizar acerca da discussão se a empresa precisa ou não investir nos "gaps" percebidos em suas forças de trabalho (em especial aos jovens recém graduados), visto ser esta originalmente uma responsabilidade do Estado. Penso que a questão vai muito além do "precisar" e se concentra essencialmente no "dever", pois como já disse antes, a capacidade de prosperar de toda e qualquer empresa no longo prazo está intimamente ligada ao quanto a sua força de trabalho está verdadeiramente pronta para competir local e globalmente. Desta forma, a iniciativa privada deve sim se envolver diretamente na questão de oferecer uma educação de qualidade aos seus funcionários. No entanto, penso que este não pode ser um processo onde a Empresa simplesmente adota uma postura que aqui chamarei de "maternal" (que ainda é percebida em um número bastante elevado de grandes empresas brasileiras) que se caracteriza na oferta pura e simples de uma série de "benefícios" como auxílio à gradução, MBAs, Inglês etc. Penso que a Empresa deve adotar uma postura de "parceira" dos seus funcionários no que diz respeito ao preenchimento dos gaps de competências percebidos e que este processo tem como grande driver a construção de uma política de auto-desenvolvimento, onde a Empresa oferece sim o acesso às soluções de educação que de fato tenham relevância à sua existência, mas onde as responsabilidades pelo Estudo e por transformar estes novos conhecimentos em maior produtividade ficam com o funcionário (é uma relação de contrapartida). Em tempos onde os funcionários são constantemente provocados em inovar e empreender, a postura "parceira" que aqui me refiro permite uma visão muito mais ampla do que a simples oferta de "benefícios", que na prática quase nunca se transformam em novas competências que irão agregar valor à Empresa. Enfim, penso que a iniciativa privada não só "precisa" como "deve" investir vigorosamente em programas de educação formal e de treinamento corporativo que irão lhes permitir melhorar o nível de competência e as habilidades "hard" e "soft" de seus funcionários. Fazendo isso, todos se beneficiam: as empresas que se tornam mais competitivas, os funcionários que se tornam mais competentes e valorizados e o País que evolui no item mais essencial para o seu crescimento sustentável: Educação! Aliás, a o mesmo Estudo da Economist Intelligence Unit mostra que o e-Learning é cada vez mais e melhor aceito e é apontado como uma das três principais tendências na graduação nos próximos 5 anos, o que também serve para ajudar a desmistificar a idéia de que o Brasileiro é ainda refratário ao conceito de e-Learning. Enfim, como grande entusiasta da Educação e como profissional do mercado de Educação a Distância há 10 anos, penso que posso dar uma pequena (mas muito importante!) contribuição para incrementar a produtividade e a competitividade das Empresas nacionais e das multinacionais aqui instaladas e para melhorar o nosso tão querido Brasil através do poder transformador da Educação. By the way, do you speak English?? Best regards, José Ricardo B. Noronha
Escrito por José Ricardo Noronha às 21h38
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