Mais do mesmo?
2008 já começou. E com ele vieram também as primeiras análises econômicas e políticas do que se pode esperar do ano que agora se inicia. Do ponto de vista político, 2008 começou da pior forma possível. Com Lula e sua trupe mostrando suas garras e sua perspicácia ao lançar um pacote de maldades que incluem o incremento de alguns impostos atuais, dentre os quais o IOF e a CSLL (esta última válida para o mercado financeiro).
Com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o Governo Lula consegue em uma tacada só (genial, diga-se de passagem), aproveitar-se do momento de exuberância da economia brasileira que é turbinada por uma avalanche de crédito (onde boa parte da classe média e das classes menos abastadas encontram-se muito próximas ou já acima do nível de endividamento considerado ideal) e também aumentar a sua arrecadação através do aumento da tarifa não por acaso exatamente incidente sobre as operações de crédito.
O que é pior nisso tudo é a desfaçatez de Lula e de toda a sua equipe econômica, que logo após a retumbante derrubada da CPMF no Senado Federal comprometeram-se peremptoriamente a não abrir mão do lançamento, ou quiçá do aumento de impostos existentes como contrapartida direta à perda dos quase R$ 40 bilhões que eram provenientes da cobrança da CPMF. O que viria a se comprovar depois é que nada que seja dito por Lula ou por seu primeiro time pode ser entendido como verdade absoluta. Nada, nada mesmo! Muito ao contrário, como tão bem disse recentemente Dora Kramer, Lula, seus ministros e principais cupinchas nem sequer se ruborecem mais quando são chamados de mentirosos seriais pela ainda incipiente oposição ou por aqueles coitados que como nós sustentam toda esta corja de bandidos.
Quando Lula garante que vai cortar na própria carne para conseguir os ajustes necessários à perda da receita da CPMF, podemos esperar o inverso, ou seja, o aumento ainda mais indecente que o recentemente apurado de 129% nas despesas com cartão de crédito corporativo, onde assessores sacam grana viva a torto e a direito para dar vazão ao apetite cada vez mais voraz de Lula e sua turma pelos incontáveis benefícios que somente esta República de Bananas lhes permite.
Lula está acima do bem e do mal. Fala o que quer, bravateia aqui e ali, pois não tem compromisso firmado com quem quer seja. Existe apenas um compromisso velado do PT e de toda a sua turma ainda liderada pelo agora menos calvo e ainda mais poderoso Zé Dirceu de se implantar no Brasil a "República dos Companheiros", onde o único objetivo é de se extrair do Poder todas as benesses possíveis no prazo de tempo mais longo que se conseguir.
Aliás, por falar em Dirceu, em entrevita recente à Revista Piauí, ele confirmou com todas as letras que a Sede do PT em Porto Alegre havia sido construída com dinheiro de caixa dois. Tal declaração, a meu ver, foi um tapa com luva de espinhos na cara de toda a Sociedade Brasileira, com especial foco à nossa Justiça que parece sempre fazer questão de apertar ainda mais o laço da fita que cega a mulher vendada que a simboliza. A Justiça Brasileira é de fato cega, pois não vê nada, não enxerga nada e não pune ninguém. Aliás, cabe aqui uma correção, pune sim. Pune aquele sujeito que desprovido de uma melhor condição financeira não tem as possibilidades de usar os incontáveis atalhos legais já tão conhecidos por todos os nossos homens públicos.
Voltemos à análise de 2008. Do ponto de vista geopolítico, 2008 iniciou com mais uma declaração estapafúrdia do Coronel Chávez, a quem Lula continua a temer. Chávez pediu que a comunidade internacional passasse a tratar as FARC (Forças Armadas Revolucionários da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional) como forças "insurgentes", excluindo-as da atual classificação de forças terroristas. Como tão bem disse Clóvis Rossi em recente artigo "Chávez acaba de ultrapassar a fronteira entre a bufonaria de grande parte de suas declarações e gestos para entrar no pantanoso território da insanidade megalômana".
Como ainda voa em céu de brigadeiro em uma América Latina cada vez mais dominada por falsos ou pseudo-socialistas, Chávez vai, a cada dia que passa e a cada declaração estúpida adicionada à sua lista quase interminável de impropérios, ganhando destaque em um rincão do mundo onde infelizmente o baixo nível sócio-educacional-cultural e o baixíssimo envolvimento da sociedade com assuntos políticos formam a mistura ideal para o crescimento de líderes populistas como ele próprio, Lula e Evo Morales.
De volta ao plano local, 2008 nos reserva mais uma vez a possibilidade de mudança. Mudança que é tão discutida neste momento nos Estados Unidos com a inserção do ainda jovem Barack Obama na corrida presidencial. Mudança que precisa acontecer aqui no Brasil também!
Não dá mais para continuarmos conduzindo esta corja de bandidos ao Poder. É hora de ficarmos de olho naqueles poucos (infelizmente) que ainda têm o legítimo interesse pela melhoria das nossas cidades (eleições municipais este ano) e consequentemente das nossas vidas.
Ou será que veremos em 2008, uma versão "mais do mesmo" de tudo o que vimos em 2007?
Abraços a todos!
José Ricardo B. Noronha
Escrito por José Ricardo Noronha às 21h56
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