Blog do José Ricardo Noronha


Congreço Nacional e Incitatus

E não que é o nosso fatídico Congreço Nacional ainda tem capacidade de nos causar espanto?
 
Sim, amigos e amigas, depois de toda a vergonha representada pela absolvição do Coronel Renan Calheiros (e aliás à véspera da tão esperada Playboy da Monica Velloso), eis que nossos ilustres representantes na Capital da Maracutaia (vulgarmente conhecida como Brasília) nos presenteiam com milhares e milhares de documentos oficiais com um carimbo "a la Seu Creysson" onde se lê "Congreço Nacional". Vale inclusive ressaltar que algumas medidas provisórias enviadas pelo Executivo trazem em seu bojo esta excrecência vocabular.
 

 
Em outros tempos, talvez tal "deslize" tivesse sido descoberto antes. Mas nos tempos lulistas, onde aprendemos (ou fomos obrigados??) a ver nossa Língua Portuguesa sendo diariamente tolhida nos discursos arrotados pelo nosso Presidente da República, a descoberta do erro só se deu há aproximadamente 3 semanas, sendo que o carimbo havia sido produzido em Agosto.
 
Aos leitores mais lenientes com este governo podre do PT, imagino que o texto de hoje possa provocar um sentimento de "puxa vida, o Zé Ricardo tá ficando até chato com esta perseguição ao PT, Lula & Quadrilha S/A". Sim, de fato, a minha tolerância à esta quadrilha comandada por Lula já acabou há muito tempo, e só cresce à medida em que eu não consigo me desvencilhar dos absurdos impostos que todos nós, cidadãos de bem, somos obrigados a recolher diária, mensal e anualmente.
 
Aliás, fiquei triste por não ter assistido sequer ao último capítulo da novela "Paraíso Tropical". Pelo que ouví, o autor da novela foi muito feliz ao criar uma CPI fictícia e envolver a protagonista da novela "Bebel" em um caso muito parecido com o que recentemente fomos forçados a assistir, só que infelizmente sem ficção alguma.
 
E é aqui que eu pego emprestado o texto do jornalista Josué Maranhão (www.josuemaranhao.com.br), que o meu amigo Luís Hess (este sim trabalhador sério em Brasília!) me enviou:
 

Incitatus e Bebel

 Josué Maranhão

 

BOSTON – Incitatus, o cavalo que ficou famoso na história, quando foi nomeado Senador, no Império Romano, poderia e deveria renascer para ocupar uma cadeira no Senado Federal brasileiro.

 

Em Roma, a desmoralização do Senado ficou marcada, quando o imperador Calígula nomeou o seu cavalo Senador. E ainda mais: o fez acompanhado por séqüito de servos, como naquele tempo eram apelidados o que hoje chamam de Assessores.

 

Tivesse o Brasil alguém com os poderes (e a insanidade) de Calígula, certamente poderia haver um cavalo sentado no plenário do seu Senado Federal.

 

A ousadia, todavia, não chegou a tanto. Mas a desmoralização do Senado brasileiro atingiu nível tão elevado, que se tornou cenário de deboche e achincalhe em uma novela de televisão.

 

Na encenação jocosa e satírica encaixada no folhetim televisivo, certamente o seu autor temeu represálias e refreou a ousadia. Assim não fosse, certamente, ao contrário de colocar a prostituta Bebel na tribuna, como testemunha, a teria nomeado senadora da República. Fosse a personagem travestida de Senadora, a paródia com a história de Incitatus, o cavalo de Calígula, seria mais evidente como retrato da desmoralização.

 

A presença marcante do Senado Federal, no entanto, ficou bem destacada quanto Bebel se vangloriou de ser prostituta “fixa e exclusiva” de um Senador, mantida por um usineiro, como deixaram transparecer na inquirição a que foi submetida no cenário que reproduzia o plenário do Senado da República. Será que a arte imita a vida?

 

Não houve a preocupação em avisar, como é usual, que “qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência”. Não o é. Foi apenas uma imitação bufa da vida real que vem enlameando a história do Senado brasileiro.

Depois dos escândalos escabrosos, resultado da corrupção que campeia, com um senador tendo suas despesas com a amante pagas por uma empreiteira, instituindo as boiadas voadoras e, apesar disso, merecendo a absolvição, além de outras aberrações e imoralidades, não há onde se enterrar a imagem do Senado brasileiro.

 

As travessuras da realidade atual desmoralizam a história de uma casa parlamentar que já abrigou figuras como Rui Barbosa, Afonso Arinos de Melo Franco, Santiago Dantas, Darci Ribeiro, Franco Montoro e alguns outros que, diferentemente do que ocorre na atualidade, deixaram marcas evidentes de honradez, seriedade, inteligência e compostura.

 

Onde estiverem, certamente, postularão a exclusão dos seus nomes da história do Senado do Brasil. Dessa forma tentarão evitar que sejam conspurcados com as comparações com os sarneys, os collores, os renans, os limas e tantos outros que chafurdam na lama e fazem respingar marcas indeléveis nas imagens de homens ilustres e honestos.

 

A depravação de hábitos e costumes é a característica de uma maioria irresponsável, onde se sobressaem também os azeredos, instituidores de mais um esquema de corrupção, estruturado nos saques aos cofres públicos.

 

O esboço que a realidade mostra, atualmente, é assemelhado a um mercado de venda e compra de consciências. Tem a estrutura de um bordel, envolvendo, de um lado, alguns senadores da República e, do outro, figuras do governo, que negociam nomeações e verbas, fontes de mais corrupção e desmoralização do Senado da República.

 

Belíssimo texto Josué!
 
Um grande abraço a todos!
 
José Ricardo B. Noronha


Escrito por José Ricardo Noronha às 17h37
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