A República da Peroba!
Decidi me lançar no mercado editorial. Minha primeira incursão no mundo oficial das letras será com o lançamento do livro "A República da Peroba". Já ciente dos desafios comuns aos novos escritores, tenho consciência da dificuldade que será encontrar uma Editora disposta a apostar suas rarefeitas fichas em um novo escritor, e com um livro "sui-generis" onde a Bibliografia deverá ocupar mais do que a metade de toda a publicação.
Sim, a Bibliografia do meu livro será vasta, rica e recheada de livros, artigos, ensaios e afins sobre a corrupção nacional, esta praga que parece não ter fim.
De qualquer forma, estou muito confiante. Sei que ao terminar esta obra, terei cumprido com os três importantes desafios que nos são "extra-oficialmente" apresentados pela Sociedade quando da nossa infância: o de plantar uma árvore, o de escrever um livro e o de ter filhos.
Vamos ao draft do livro!!
Não sei por onde começo. Ditadura Militar? Nos 5 anos em 50 do JK e com a desnecessária criação de Brasília? No Maluf "Rouba mas faz"? No onipresente Sarney? No maluco Collor? Por onde?
Já sei. Vou iniciar minha jornada literária com a chegada dos portugueses ao Brasil, que com olhos exclusivamente voltados à exploração daquele que se apresentava como um novo e riquíssimo território, deram início a um intenso processo de exploração, que se iniciou não por acaso com a madeira Pau-Brasil.
De lá para cá, o Pau-Brasil rareou. Mas surgiram outras diversas e porque não dizer até exóticas espécies de madeira (nenhuma "nobre" infelizmente). A última delas vem novamente lá terra delle e responde pelo nome científico de "Renam Calheiruns Adultériuns". Trata-se de uma madeira resistente, que tem vida longa e que, como os bons whiskies e vinhos tintos, se tornam ainda mais robustos e dotados de personalidade marcante com o avançar dos tempos. A madeira "Renam", sempre mereceu um lugar de destaque na Flora Brasileira, muito pela sua profunda adaptabilidade aos mais diversos ecossistemas políticos.
Nos tempos colloridos, "Renam" fazia parte da tropa de choque do seu amigo alagoano, que em conjunto com outras madeiras tão exóticas quanto, como a "Robertus Árias Jeffersons", dominavam a cena política nacional. Madeira forte, resistente e resiliente que é, "Renam" não se enfraqueceu diante da queda do seu conterrâneo Collor. Muito ao contrário. A exemplo dos outros tantos coronéis nordestinos, "Renam" parece ter vida perpétua nos principais palcos políticos amadeirados do País.
Emplacou uma série de apadrinhados políticos nas mais diversas e importantes instituições públicas do País. Tornou-se parceiro para toda obra do companheiro Lula e não à toa tornou-se Presidente do Senado. Agora, envolvido até o último fio de cabelo com mal engendrados esquemas de corrupção (destaque aos R$ 12.000,00 pagos mensalmente em dinheiro por um lobista à jornalista com a qual teve uma filha), "Renam" se diz vítima de uma implacável perseguição política, e afirma peremptoriamente que nunca em sua vida misturou assuntos públicos com assuntos privados. Tá bom...
Como se pode perceber, trata-se de uma madeira dura e resistente, como é a Peroba. E que deve ser conservada e fortificada à base de muito Óleo de Peroba, que seria a explicação mais convincente para a sua sobrevivência nesta Flora infelizmente tão pouco permeada de madeiras nobres!
E o livro? Ao pesquisar todas as madeiras que hoje dominam a cena política nacional, percebi que gastaria muito tempo com madeiras exóticas como a que fora apresentada acima, e não conseguiria dedicar muitos capítulos, quiçá páginas às madeiras nobres que seriam tão importantes para coroar e abrilhantar o meu primeiro livro. Sendo assim: o projeto do 1o livro fica suspenso por enquanto.
Um grande abraço a todos,
José Ricardo B. Noronha
P.S.: Hoje no Aeroporto de Congonhas, enquanto aguardava a chamada do vôo que me traria a Joinville, tive o desprazer de me deparar com o Marcos Valério. Sim, ele mesmo, o do Valerioduto. Dotado de um novo visual, ele circulava com absoluta tranquilidade por uma Livraria junto com um amigo que tinha uma cara de gângster impressionante. Não consegui me deter. Disse em voz alta para todos os que estavam à minha volta, que só no Brasil, convivemos com tamanha passividade com bandidos desta envergadura. Ele ao perceber que todos o olhavam, se distanciou com um sorriso escancaradamente irônico, como quem diz: "Cambada de idiotas!!"
Escrito por José Ricardo Noronha às 17h42
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