Blog do José Ricardo Noronha


A Lógica Lulista

Meu gosto por Política vem de berço. Meu pai sempre foi bastante politizado e envolvido com atividades políticas. Meu avô, foi Prefeito da minha bela cidade natal (como diz o Lauro, a crepuscular São João da Boa Vista), tendo sido homenageado e eternizado com uma rua que leva o seu nome: Rua Joaquim Pinto Noronha.
 
Já fui até malufista, pasmem!! Muito mais pela profunda admiração e respeito que tinha pelo meu pai (fervoroso malufista) que pela admiração a este Senhor que é dono de extensa ficha criminal e que com sua astúcia e dinheiro tem conseguido se manter distante das grades que o esperam há tanto tempo de braços abertos.
 
Com o passar dos tempos e dos escândalos, percebi que a minha predileção por Maluf não fazia mais sentido, pois tudo o que ele realizava tinha a chancela da corrupção, do superfaturamento e da má gestão da coisa pública. Era o famoso "Rouba, mas faz!!".
 
Errei novamente ao votar em Collor, que diante de um Lula muito mais natural e menos artificial do que é hoje, se apresentava à nossa sociedade como a única e derradeira solução diante de outro candidato que à época pregava a moratória ao FMI, dentre outras idéias estapafúrdias.
 
Depois de tantos erros (grosseiros, admito!!), me tornei azedo com tudo o que rodeia a Política Nacional e muito mais crítico acerca de todos os maus políticos que nos rodeiam.
 
Eis que no início de 2003 logo após as eleições presidenciais, estava eu no Aeroporto Internacional de Miami, quando na sala de embarque para o vôo de retorno ao Brasil, tive a oportunidade de conversar por cerca de uma hora com o Dr. Roberto Mangabeira Unger, Professor de Direito da Universidade de Harvard. À época, o Prof. Mangabeira Unger ainda era o "consultor intelectual" do candidado derrotado à Presidência da República Ciro Gomes.
 
Lula já estava no deleite do seu primeiro mandato, dando fim a uma longa jornada de quatro tentativas fracassadas e inacreditáveis 16 anos onde ele só fez concorrer e ganhar presentes do seu amigo e compadre Roberto Teixeira (o onipresente advogado de seu Governo), como um Ômega Blindado e um Apartamento de Cobertura em São Bernardo do Campo, dentre outros presentes tão corriqueiros em "relações compadrísticas".
 
Compartilhei com o Prof. Mangabeira Unger a minha descrença em relação ao Governo Lula, e ele foi categórico ao afirmar que era vergonhoso termos eleito um sujeito tão despreparado intelectual e administrativamente falando, lembrando que Lula só havia tido um mandato até então como Deputado Constituinte. Mangabeira Unger disse mais: o Governo Lula seria o governo mais corrupto de toda a nossa história. Se ele não fosse Professor de Harvard, certamente teria ficado ainda mais rico se fosse Profeta...
 
O que aconteceu ao longo destes últimos 5 anos é de conhecimento de todos. Ciro Gomes foi homem forte no 1o mandato do Governo Lula (como  já tinha sido no Governo FHC). Franklin Martins, que denunciado pelo Jornalista Diogo Mainardi por aliviar demais as críticas ao Governo Lula pelo fato de ter irmão em cargo de Diretoria na ANP e esposa como assessora do Senador Mercadante, foi defenestrado de seu cargo na Globo, admitido logo na sequência na Bandeirantes para finalmente encontrar um lugar ao sol como Secretário de Comunicação Social. 
 
E para "surpresa" de todos, quem acaba de aceitar o convite de Lula para a recém criada Secretaria de Ações de Longo Prazo (com status de Ministério)? O Prof. Mangabeira Unger, ora. Esta é a lógica lulista: quem ajuda é presenteado (Franklin Martins, Roberto Teixeira e todos os companheiros petistas liderados por Zé Dirceu) e quem pode atrapalhar é comprado (mensaleiros liderados pelo quase tenor Roberto Jefferson e agora o Prof. Mangabeira Unger).
 
Ou será que o Prof. Mangabeira Unger, como eu, percebeu que era chegada a hora de mudar de lado?
 
Abraços a todos!
 
José Ricardo B. Noronha


Escrito por José Ricardo Noronha às 16h55
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Land of Promise

A respeitada revista britânica "The Economist" publicou na semana passada um relatório especial sobre o Brasil. Infelizmente ele não traz nada de novo. Ao contrário, ele só corrobora com tudo o que pensamos acerca deste país maravilhoso, mas que infelizmente é dominado por homens públicos que só têm olhos para si próprios. Aliás, o Relatório tem um nome prá lá de sugestivo: "Land of Promise" (ou "Terra da Promessa").
 
O Relatório traz dados consistentes que demonstram a enorme capacidade empreendedora de determinados setores da economia que a despeito de uma furiosa carga tributária, corrupção em série, sistema educacional terceiro-mundista e de uma burocracia asfixiante, teimam em continuar produzindo e inovando.
 
Dentre os principais pontos abordados pelo relatório, valem destaque alguns que já foram previamente abordados aqui neste Blog:
  • O Estado pesado é o maior inimigo público do País, pois ele aniquila a economia com uma carga tributária inaceitável (que hoje beira os 40%) e nada devolve à sociedade em serviços decentes;
  • O Relatório aborda também as principais razões que nos impedem de crescer sustentavelmente e diz que o Brasil é "um campo de batalha entre o progresso e a inércia";
  • O descompasso entre o fato de o Brasil ser grande, com uma democracia bastante sólida e com uma generosa riqueza de recursos minerais, e mesmo assim ter crescido em média apenas 3,3% nos últimos anos, mediante um crescimento de 7,3% dos países em desenvolvimento como um todo, é também enaltecido neste Relatório;
  • A burocracia já tão enraizada em nossa sociedade também mereceu lugar de destaque no relatório da "The Economist";
  • A corrupção igualmente mereceu destaque no Relatório, com citações expressas aos recentes escândalos do "Mensalão" e dos "Sansessugas" e à fragilidade dos partidos políticos, onde a efemeridade das alianças políticas e do tempo de permanência dos congressistas nas legendas, superam a necessária existência de legítimas ideologias partidárias;
  • O Relatório da "The Economist" falou também sobre a existência dos dois "Brasis", tema que eu também já discorri aqui neste Blog, dizendo que ao mesmo tempo que presenciamos um Brasil "sufocar negócios, abandonar crianças e desperdiçar dinheiro", nos deparamos com um outro Brasil "transbordando com experiências promissoras e iniciativas bem-sucedidas", reforçando que só nos falta colocar estas experiências em uma produção em larga escala;
  • Com relação à Educação, ponto que considero sendo o crucial para a construção de um país melhor em todos os aspectos, o Relatório traz um compêndio dos maus resultados colhidos nos últimos anos, citando dentre outros o fato do Brasil ter ficado em último lugar em Matemática e entre os piores nos testes de leitura em uma pesquisa feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 40 países;
  • O relatório fala mais sobre Educação, dizendo que os pais "vêem a escola como um lugar para deixar as crianças" e que o pouco dinheiro que é gasto é desperdiçado, com professores "pouco qualificados e sobrecarregados".
Para finalizar, a "The Economist" entende que mudanças só irão ocorrer, quando os cidadãos começarem a exigir mais das Escolas e os eleitores dos Políticos.
 
Opa, acho que eu já disse isso aqui algumas vezes... :-)
 
Um grande abraço a todos!
 
José Ricardo B. Noronha


Escrito por José Ricardo Noronha às 18h04
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