Encontros e Desencontros
A semana que passou foi marcada por alguns encontros outrora inimagináveis. A semana que passou foi também marcada por vários desencontros, que em um país estupefato e mudo diante de tantos escândalos talvez nem tenha se dado conta da importância de tais.
O encontro que certamente mais chamou a atenção e atraiu todos os olhares da mídia, foi o encontro fatídico do atual Presidente da República Lula (puxa, como me dói escrever isto) e o ex Presidente Fernando Collor de Melo. Não pretendo me estender muito sobre este triste encontro, e prefiro valer-me da máxima que "uma imagem vale mais que mil palavras", ao compartilhar com vocês meus amigos e amigas a imagem deste triste encontro, que demonstra o quão distantes estamos de um país mais sério e menos patético. Prestem atenção à incredulidade transparente da cara do Vice Presidente José Alencar.

Outro encontro não menos patético e tão esclarecedor quanto do atual e triste momento político no país, foi o do agora repaginado Delúbio Soares com o onipresente Zé Dirceu, cuja inteligência e perspicácia política o mantém no epicentro das decisões políticas de um Presidente fraco e inábil. Acreditem se quiser: para o aniversário de Zé Dirceu foram convidados mais de 2.000 companheiros, dentre eles o pouco provável Delúbio, que diante de inúmeras câmeras de TV recusou-se a cumprimentar festivamente o aniversariante (para evitar um maior constrangimento público destes dois tristes personagens de um governo nefasto), e ainda tentou se passar por um tal Marcelo. Pego emprestada a conclusão do colunista Roberto Pompeu de Toledo: "a relação entre eles é de amantes clandestinos".
Vamos agora aos desencontros.
Na seara petista, ética e interesse público nunca se encontraram. São inimigos mortais. Lula, completamente perdido e acuado diante de um Willian Bonner sereno que lhe entrevistou antes das Eleições Presidenciais de 2006, disse com todas as letras que nunca na história do Brasil um governo combateu tanto a Ética quanto ele! Verdade!
Números desencontrados: o IBGE divulgou na semana passada números turbinados do PIB nacional, que nos colocam agora novamente no rol das 10 economias mais pujantes do mundo. Não quero criar polêmica acerca da correção destes novos números, é bom que se frise. No entanto, a divulgação destes números corrigindo outros índices anteriormente divulgados em um momento em que ficou mais do que comprovado que o País cresceu de forma medíocre, ganha ares robustos de suspeição. Números desencontrados que dão suporte a um governo desencontrado e a um animador de auditório sempre pronto a enganar a população com explicações estapafúrdias acerca de qualquer tema sério.
A semana que passou também nos reservou outro triste desencontro, que alías tem teimado em acontecer com frequência nestes últimos 6 meses. O do passageiro aéreo que não encontra seu avião, em um calvário que parece não ter fim. Este desencontro produziu outro ainda pior: o desencontro de uma sociedade inquieta pela busca das razões do apagão aéreo com os seus parlamentares, que novamente turbinados financeiramente pelo que se convencionou "Governo de Coalizão", têm lutado até os dentes para evitar a propalação de mais uma CPI, a do "Apagão Aéreo".
Será que um dia o Brasil encontrará um verdadeiro Líder, que tenha no mínimo a humanidade e o altruísmo de perceber a necessidade veemente de mudanças sociais profundas e de investimentos vultosos em Educação? Do jeito que a coisa anda, fica difícil acreditarmos que sim...
Abraços a todos!
José Ricardo Noronha
Escrito por José Ricardo Noronha às 18h36
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