Álcool Neles!!
A passagem do Presidente Bush pelo Brasil foi marcada pela pirotecnia representada pelo esquema de segurança que lhe é reservado em suas viagens internacionais e também pela incapacidade contumaz de um Presidente dado às estripulias etílicas características das melhores conversas de botequim, em lidar com questões maiúsculas como a gigantesca oportunidade que o Brasil tem diante da questão global que envolve o Etanol.
Lula, em seus devaneios metafóricos de sempre, chegou a dizer que é preciso encontrar o "Ponto G" nas negociações entre os Estados Unidos e o Brasil. Lula disse mais: "Penso que esta parceria entre os Estados Unidos e o Brasil pode significar um novo momento na indústria automobilística, um novo momento no mundo e, possivelmente, um novo momento na história da humanidade”. Besteirol puro!
De concreto só vimos a assinatura de um memorando vazio que prevê a discussão do tema Etanol nos "fóruns apropriados", sem sequer estabelecer prazo para que isso aconteça.
O Brasil tem uma chance de ouro de se aproximar dos Estados Unidos em uma situação privilegiada, pois de fato detemos tecnologia, mão de obra e uma imensa área plantável de cana. Prova disso são os estudos sobre os investimentos no setor sucroalcooleiro e que apontam que o Brasil ganhará uma nova usina de álcool por mês até o ano de 2012, onde são previstos investimentos da ordem de US$ 14,6 bilhões.
Não entendo quase nada de jogo de Xadrez, mas entendo ser este um jogo em que as habilidades estratégicas prevalecem sobre o improviso e a sorte presentes em outros tantos jogos de mesa. A questão das energias alternativas é um imenso tabuleiro de Xadrez, onde vários players globais como Irã, Iraque e Venezuela continuam mantendo suas posições estratégicas, que alías fomentam as performances grotescas e politiqueiras de Hugo Chávez e do desmiolado Mahmoud Ahmadinejad, do Irã.
Neste quadro, os Estados Unidos buscam desesperadamente uma solução alternativa que reduza a profunda dependência que têm do petróleo importado destes países. E é dentro deste mesmo cenário que o Brasil surge como uma alternativa viável que propicie aos Estados Unidos não apenas reduzir a sua dependência do petróleo importado, como também não ter mais que aturar os ataques impertinentes e desprovidos de qualquer lógica político, econômico e social que pululam de Chávez, Ahmadinejad & Cia.
E Lula, o que faz? Assevera a importância de manter as boas relações diplomáticas e comerciais com Estados Unidos e Venezuela (!!), em uma clara e inequívoca incapacidade de entender que o tabuleiro de xadrez das matrizes energéticas do mundo é extremamente favorável a um xeque-mate brasileiro.
Não se faz necessário ser um Gary Kasparov, o mito do mundo do Xadrez, para perceber que o momento é o de se buscar a maior proximidade possível dos Estados Unidos e do maior distanciamento da Venezuela, que de concreto nos últimos anos só sugou mais de US$ 200 milhões do nosso BNDES para obras de metrô em Caracas e de irrigação em Maracaibo.
Hoje o álcool brasileiro que entra nos Estados Unidos é sobretaxado e Bush em sua visita relâmpago ao Brasil apenas disse que não há nada que possa ser feito agora sobre isso. Creio que enquanto Lula teimar em continuar obediente ao esperto e maquiavélico Chávez, não haverá qualquer possibilidade de que esta sobretaxa seja revista, até porque o mundo das negociações internacionais é recheado de contrapartidas, e neste momento Lula não tem a coragem necessária de virar a cara ao chefão Chávez e de se aproximar estrategicamente de Bush.
Enfim, Lula tem a visão simplista que caracteriza as discussões de botequim. Somos amigos prá cá, somos amigos prá lá, abraços ternos e nenhuma solução concreta. Assim são as discussões de botequim. Assim é Lula!!
Um grande abraço a todos!
José Ricardo B. Noronha
Escrito por José Ricardo Noronha às 21h46
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